Um pouco de mim...
”Porque comigo, Senhor? Com tanta gente no mundo, por que foi acontecer logo comigo?”
Esse era meu questionamento em uma tarde de domingo, há 8 anos, estando eu deitada no chão frio da sala de casa, com o olhar fixo no teto. Mas, em questão de segundos, tive uma visão: um caixão com lençóis em tecido de seda, branco-gelo; eu sabia que era eu quem estava ali dentro. E ao fundo, começou a tocar a musica “Campeão” da Jamilly .
Naquele domingo, completava-se exatamente, 1 semana sem saber o que era dormir, as esperanças tinham acabado. Eu desejei morrer! Qual o sentido que existia em viver? A morte seria a solução para aquela dor que me consumia.
A minha mente estava fervendo! O rol de perguntas ia aumentando rapidamente, na mesma proporção do meu desespero. Queria achar um culpado para tudo o que eu estava passando, e nem mesmo Deus escapou disso.
E o que eu estava passando? Porque todo esse desespero?
Minha angustia começou ainda criança, quando sofri abuso sexual de um “amigo da família”. Isso fez eu me sentir um lixo, sentia-me desprezada. Mas a vida seguiu, mesmo com os traumas do ocorrido, eu ainda acreditava que poderia superar.
Em 23/12/2006, preparava-me para dar uma boa noticia ao meu pai: eu iria casar! No entanto, a vida preparava-me mais uma surpresa, e um golpe me atingiu violentamente, pois acabara de receber a noticia que meu pai havia morrido em um acidente de moto na manha daquele dia. E, então, desabei...
Definitivamente, para mim, Deus não existia. O desespero tomou conta de mim, Ele havia levado a pessoa que eu mais amava e que me protegia. E além de tudo o que vinha acontecendo, Ele parecia indiferente a minha dor; o Seu silencio me incomodava... e, racionalmente, tentei esquecê-lo, pois não havia resposta para a minha dor.
Porem, não afastei-me totalmente dEle, e pelo menos fisicamente, procurava estar nos cultos.
Em uma noite de domingo, na congregação Rio Jordão, durante a mensagem que falava sobre a morte de Jesus, fui tocada pelo amor do Mestre para que eu pudesse ser livre.
Então, decidi fazer uma nova aliança com Deus, e independente das circunstancias, o chamaria de Pai, reconhecia o seu amor, mas eu precisava achar um culpado, para eu superar a situação.
Este era um dos problemas, eu vivia na cultura da culpa: falhamos em não assumir as nossas responsabilidades. Sempre procuramos transferir a culpa ao nosso próximo.
Um exemplo disso, foi o que aconteceu com Adão e Eva, pois apontar o culpado, parecia ser a solução do problema. Eu assumia que estava com problemas, mas não tinha determinação, nem forcas para reconhecer que eu precisava de ajuda. Eu estava com sinais visíveis de depressão. E o que era isso? Até então, pouco tinha ouvido falar.
Era um problema espiritual, uma doença física ou eu estava somatizando meus problemas? Eu estava em pecados? O quê que a minha família, os irmãos da igreja ou os meus amigos estavam pensando de mim?
Mesmo naquela situação calamitosa, conseguir entender que não bastava eu ser a vitima, e me entregar ao problema, eu precisava reagir. Sabia que não conseguiria vencer sozinha, eu finalmente, reconheci que precisava de ajuda. Foi o que fiz, procurei ajuda de pessoas que, orientadas pelo Espírito Santo, me indicaram os passos que eu deveria dar: precisava de ajuda profissional e Espiritual. Uma irmã do círculo de oração foi fundamental nesse processo, fez-me entender que eu estava doente, e como tal, eu precisava de tratamento médico e psicológico.
O processo de tratamento foi longo, as pedradas e os espinhos foram dolorosos, a estrada foi árdua. Mas, eu venci! E porque eu venci? Porque tive ao meu lado, a minha família, me apoiando, ressaltando a minha irmã Suelen Marinho que percebeu que poderia fazer mais por mim, e decidiu em fazer o curso de Psicologia.
Agradeço a um amigo Psicólogo cristão que me acolheu e indicou-me um médico, ao qual me ouvia atentamente e sempre terminava dizendo: não se preocupe, isso é apenas uma fase e logo vai passar! E, também aos meus amigos, que foram maravilhosos comigo.
Diante de tanto amor e compreensão, descobri que Deus não era o culpado do que estava acontecendo. Nós somos livres e vivemos de escolhas, embora muitas pessoas escolham ferir ao seu próximo.
Minha vida pertence a Deus, era um presente de Deus, e eu podia escolher: ser uma eterna vítima ou ser uma pessoa vitoriosa. De tudo o que passei, a vida me proporcionou experiências de intervenção, cura e libertação divina.
Hoje posso dizer que “ate aqui nos ajudou o Senhor”. Por isso, hoje falo que você é mais que vencedor, em Nome de Jesus. Escolha a vida, escolha viver feliz! Não se envergonhe de procurar ajuda, não se intimide se alguém vier lhe ferir com palavras ou olhares, condenando o seu sofrimento, compartilhe o que você está passando, sua dor e seus pesares. Há pessoas que lhe amam e vão querer presenciar a sua vitória.
Na visão daquela tarde de domingo, eu enfatizava e me importava com o caixão e com os lençóis. É o que de fato acontece. Muitos se importam mais com o que você tem, do que com o que você é.
Mas Deus não se inclui nisso, Ele se importa com o que você é, Ele te ama e é quem mais te quer ver feliz. Não culpe a Deus pelas atitudes dos homens perversos.
Ele nos deu o Seu Filho Jesus para morrer por mim e por você. Hoje vivo em estado de graça, porque decidi acreditar e lutar pelo projeto de Deus para minha vida.
Nilza Marinho
Seguidora apaixonada, amiga de Jesus Cristo.


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